Dormir pouco pode levar à obesidade

Há quem diga que a insônia é um dos males do século XXI. E não é por menos, já que com a rotina intensa do dia a dia e a vida agitada nas cidades, está cada vez mais difícil dormir ao menos 7 horas, como é o recomendado.

Porém, quanto menos se dorme, maiores são os riscos para o desenvolvimento de problemas de saúde, entre eles a obesidade. Diversos estudos recentes relacionam a curta duração do tempo de sono com o aumento do índice da massa corporal (IMC) e à obesidade.

Uma pesquisa espanhola realizada em 2000 com dois grupos de indivíduos apontou que, mesmo controlando as variáveis de gênero, idade e outros fatores, o grupo de pessoas que dormia 6 horas por noite tinha um IMC maior do que o grupo que dormia 9 horas.

Outro estudo realizado nos Estados Unidos, em 2002, investigou a ligação entre a obesidade e o sono em uma amostra de 383 adolescentes de 11 a 16 anos. Os resultados revelaram que os adolescentes obesos dormiam menos tempo que os não obesos e, que para cada hora perdida de sono, a probabilidade de se tornar obeso aumentava 80%.

Alterações endócrinas

Situações que alteram o padrão habitual de sono, como o jet lag e trabalhar no turno da noite estão claramente associados às alterações no padrão da ingestão alimentar.

E, embora os mecanismos que comprovem essa informação não estejam totalmente claros, sabe-se que os distúrbios provocados pelas alterações nos períodos de sono-vigília influenciam o apetite, a saciedade e, consequentemente, a ingestão alimentar, favorecendo a obesidade.

De acordo com especialistas, essas alterações se devem ao uma possível dessincronização ou a desajustes no relógio biológico, o que prejudica a duração e qualidade do sono e, consequentemente, a ingestão alimentar.

Além disso, estudos têm observado que a privação do sono está relacionada a à diminuição do hormônio leptina – relacionado à saciedade – e ao aumento do hormônio grelina – relacionado à fome -, resultando, assim, no aumento da fome e da ingestão alimentar.

Além das alterações hormonais, alguns especialistas também acreditam que a redução do tempo de dormir poderia diminuir o gasto energético diário total. Isto resultaria no aparecimento de cansaço e sonolência excessiva durante o dia, o que contribuiria para a redução da atividade física diária.

Novos estudos ainda devem ser conduzidos para esclarecer a real influência do sono no ganho de peso. Mas, lembre-se que manter uma boa rotina de sono, com no mínimo 7hs bem dormidas, é fundamental para manter o equilíbrio nutricional e o funcionamento adequado do organismo.

Referências:
Relação entre sono e obesidade: uma revisão da literatura.
Autores: Cibele Aparecida Crispim, Ioná Zalcman, Murilo Dáttilo; Heloisa Guarita Padilha; Sérgio Tufik; Marco Túlio de Mello. Departamento de Psicobiologia, Universidade Federal de São Paulo, SP - Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de São Paulo, SP -
Link: http://www.scielo.br

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